O Alentejo veio a Lisboa, e nós fomos ter com ele!

O Alentejo veio a Lisboa no fim de semana passado. Veio e mostrou, como só ele sabe, de que material é feito. Quem passou pelo CCB na Sexta e no Sábado teve oportunidade de saborear dois pedacinhos do Alentejo: o Vinho e o Azeite.

Mais uma vez a Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA), em parceria com a Casa do Azeite, realizou o evento “Grande Prova Mediterrânica – Azeites e Vinhos do Alentejo” no CCB – Centro Cultural de Belém. Cerca de 80 produtores da região do Alentejo, colocaram à prova dos visitantes (turistas, enólogos, curiosos, entusiastas e alcoólicos) mais de 400 vinhos e alguns azeites. À semelhança de outros anos, marcámos presença.

Depois de um almoço no Darwin e de uma caminhada junto ao Tejo, chegámos ao CCB pouco passava das 15h (hora de abertura). A fila ainda era curta e em escassos 5 minutos já tínhamos comprado o bilhete (3€ com direito a um copo e entrada no recinto).

Começámos com uma vistoria inicial, à procura de alguns produtores que não poderíamos falhar. Todos os anos fazemos esta pré-análise e todos os anos concluímos que tem pouca utilidade, uma vez que nos esquecemos do que queremos ver à medida que vamos vendo…

Decidimos começar por uma banca sem vinho – O espaço “Ciência e Arte“. Este espaço procura mostrar aos visitantes algumas combinações improváveis. No ano anterior foi, surpreendentemente, das nossas bancas preferidas. Deliciámo-nos com as azeitonas explosivas, as manteigas experimentais, e a simpatia das pessoas. Contudo, este ano a experiência deixou a desejar. Não pelo sabor das iguarias, mas pela falta de tempero das pessoas que nos atenderam, levando-nos quase a sentir necessidade de pedir desculpa por lá termos ido. Talvez um copinho de vinho lhes fizesse bem…

Depois entrámos no mundo dos produtores, das vinhas, das castas, dos sabores e cheiros que afirmamos sentir sem saber do que estamos a falar… e da necessidade de intercalar com pão e azeite. Pela dimensão, esta feira torna-se bastante familiar e à medida que andamos reencontramos pessoas de outras provas, amigos de longa data, familiares e conhecidos que desconhecemos por completo mas que nos cumprimentam com uma energia contagiante e contagiada por uma elevada diversidade de castas.

Excluindo alguns campões olímpicos com capacidade para beber 1 copo e meio de vinho por minuto durante 5 horas, torna-se impossível provar todos os vinhos e muito pouco provável passar pelos 80 produtores com sede de nos dar o que beber. Acabamos por escolher, quase que aleatoriamente, alguns. Escolhemos aqueles que reconhecemos, ou que temos interesse em conhecer. Escolhemos aqueles com rótulos bonitos. Escolhemos aqueles que nos parecem ser servidos com simpatia. E com o andar da carruagem…acabamos só por escolher.

Provámos muitos vinhos e alguns azeites. Deliciámo-nos a ouvir algumas das explicações e a simpatia com que alguns produtores nos recebem na sua “loja”, mesmo com a consciência que pouco ou nada percebemos do que dizem. Ficámos com vontade de conhecer mais e de visitar algumas das quintas.

Do que provámos há coisas que não esquecemos. Por acharmos que é bom sinal, deixamos a referência:

Prémio “Há Sol e Mar” para melhor Produtor
E o vencedor é…. Ervideira. Já conhecemos estes vinhos de trás para a frente, mas é daquelas bancas onde a passagem é obrigatória. Para além da excelente panóplia de vinhos (brancos, tintos e colheita tardia), é um privilégio fazer uma prova com o Sr. Duarte Leal da Costa, pela forma apaixonada com que fala dos seus vinhos. Provámos o Invisível (excelente branco, feito com uma casta tinta, que tem um comportamento brutal quando bebido a 16º), o Conde de Ervideira Reserva, o Conde da Ervideira – Vinho da Água (o famoso vinho que esteve a estagiar no Alqueva, mas que deve ser provado noutras circunstâncias) e terminámos os tintos com o Conde de Ervideira Private Selection (o topo de gama da Herdade). Antes de deixarmos o Sr. Duarte, fechámos os olhos e imaginámo-nos ao calor de uma lareira enquanto degustávamos a fantástica colheira tardia da Ervideira. A repetir, sempre.

Prémio “Há Sol e Mar” para melhor vinho Branco
Só provámos dois vinhos brancos, pelo que podem achar que a nomeação é injusta. Mas vamos ter de dar algum destaque ao Vicentino – Sauvignon Blanc de 2014. As vinhas do Vicentino localizam-se na costa Alentejana, zona de praia, perto da Zambujeira do Mar. Não sabemos se é pela briza marítima, pela humidade do mar, ou pela ramboia no Verão… mas este vinho é ótimo, e peculiar. Há quem diga que “vai bem” com Sardinhas Assadas… pelo intenso sabor e aroma a Pimentos Assados. Façam uma sardinhada, poupem nos pimentos e comprem uma garrafa de Vicentino “Sauvignon Blanc” de 2014.

Prémio “Há Sol e Mar” para melhor vinho Tinto
Antes do grande vencedor, duas menções honrosas: O excelente Winemakers Selection de 2011 da Herdade do Paço do Conde e o espetacular Fita Preta Premium, do mesmo ano. Dois vinhos espetaculares que valem cada cêntimo.
E o grande vencedor é…. Morde das Terras de Alter. Numa alusão à casta Tinto Cão, o vinho Morde de 2012 resulta de um trabalho espetacular deste produtor que resolveu explorar esta casta comum no Douro e nos vinhos do Porto, no Alentejo. Tem um aroma harmonioso a fruta vermelha madura e na boca é bastante persistente, apresentando taninos vigorosos e muita elegância. Tem um final persistente e delicioso… A não perder! O monocasta Tinto Cão das terras de Alter merece ser mordido! Morde à vontade.

Prémio “Há Sol e Mar” para melhor Relação Qualidade Preço
Neste prémio gostaríamos de voltar a falar de um vinho da Ervideira – O Conde de Ervideira Reserva de 2014. Por um valor entre 8€-12€ é obrigatório degustar este vinho e compreender muita da essência deste produtor. Estamos a falar de um Blend de Trincadeira, Aragonez e Alicante Bouschet, estagiou 8 meses em barricas nova de carvalho francês e permaneceu engarrafado mais de 1 ano em cave. No nariz é possível sentir bastantes frutos vermelhos adocicados (compota), complexados pela madeira muito bem integrada. Na boca é um vinho robusto e daqueles que se mastiga e envolve na boca. Escorrega que é uma delicia… e enche a alma, como os grandes vinhos.

Podem consultar mais informações sobre o evento em:
http://www.vinhosdoalentejo.pt/noticias.php?idn=204

Para o ano lá estaremos novamente!

Sun & Sea

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