Trilho dos Pescadores, Rota Vicentina, Alentejo, Portugal

Rota Vicentina: de Odeceixe a Milfontes pelo Trilho dos Pescadores em 3 dias

Precisávamos de fazer um reset, e para nós o melhor remédio é sem dúvida estar na natureza, perto do mar e de preferência com o sol a iluminar-nos o caminho. Então pegámos nas nossas mochilas e decidimos ir explorar como deve de ser o Trilho dos Pescadores da Rota Vicentina.

Com raízes na zona, já conhecíamos alguns troços e pontos de passagem da Rota Vicentina, mas nunca nos tínhamos dedicado a abraçá-lo de mochila às costas. O Trilho dos Pescadores percorre a nossa magnífica costa, por mais de 200 km, desde Sines até Lagos. Propusemo-nos a fazer o trilho de Odeceixe a Milfontes em 3 dias. Será que nos aguentámos?

Dia 0 – O dia das boleias

De Milfontes conseguimos uma boleia até Odeceixe, com o objectivo de conseguirmos voltar a casa pelo nosso pé. Melhor ainda, conseguimos uma boleia que nos ofereceu o almoço em Odeceixe. Fizemos claramente um bom negócio!

O objetivo do dia estava cumprido, chegar a Odeceixe e fazer check-in no parque de campismo da zona. Por isso, para o resto da tarde, o plano era simples: aproveitar a praia! A Praia de Odeceixe é bastante concorrida no Verão, e percebe-se facilmente porquê. Para além da sua beleza natural, com as falésias e o rio a rodeá-la, tem praia virada para para o mar e para o rio, tem acessos fáceis e vários cafés e restaurantes à volta.

Praia de Odeceixe, Portugal
Praia de Odeceixe, Portugal

O parque de campismo que há na zona é o Parque de Campismo de S. Miguel, que fica mais ou menos a 6km da praia de Odeceixe, e a pouco mais de 1 km da vila. Como o caminho é todo por estrada, e este era o nosso dia de descanso, ao final da tarde apanhámos mais uma boleia, desta vez do comboio turístico, até Odeceixe para encurtar a caminhada do dia.

Comboio turístico, Odeceixe, Portugal
Comboio turístico, Odeceixe , Portugal
Ribeira de Seixe, Odeceixe, Portugal
Ribeira de Seixe, Odeceixe, Portugal

Dia 1 – De Odeceixe à Zambujeira do Mar

No primeiro dia o nosso objetivo era percorrer os cerca de 18 km do trilho que separam Odeceixe da Zambujeira do Mar. Acordámos cedo, para tentarmos fazer o máximo de caminho ainda pela fresquinha, evitar a hora de maior calor e ainda conseguir aproveitar a tarde na praia. O dia acordou farrusco, e saímos de Odeceixe sem ver o sol, mas como é muito comum aqui na costa, depressa as nuvens desapareceram e o sol tomou conta do pedaço.

Rota Vicentina, Portugal
Rota Vicentina, Portugal

Apesar do trilho começar por estrada, mal se chega à costa, o terreno e a paisagem mudam, mais areia nos pés, mas também mais falésias, praias, e uma paisagem que nunca cansa de admirar.

Passámos pela Azenha do Mar, onde ainda pensámos em parar para uns petiscos mas era o dia de estar tudo fechado, e pela Praia da Amália, onde nos armámos em locais demais e não prestámos tanta atenção aos sinais da trilha. Esta chico-espertice valeu-nos um desvio bem longo para passar a ribeira que termina na cascata da Praia da Amália. Por isso a dica mais importante é: estejam sempre atentos às marcas do trilho!

Com este desvio chegámos à Praia do Carvalhal já com o calor (e a fome) da hora de almoço. Acabámos por assentar arraiais por ali mesmo. Tínhamos o bar da praia para almoçar, a praia para dar uns mergulhos no mar e descansar durante a tarde e o campismo do Monte Carvalhal da Rocha para dormir. O bocadinho que faltava até à Zambujeira ficou para o dia seguinte!

Dia 2 – Da Zambujeira Do Carvalhal ao Almograve

O trilho da Zambujeira ao Almograve é o mais longo dos 3 que tínhamos planeados, com cerca de 22km. E ainda tínhamos que compensar o caminho que deixámos por fazer no dia anterior (do Carvalhal à Zambujeira). Voltámos então a acordar cedinho, e ainda fomos tomar o pequeno almoço à Zambujeira do Mar, que uma torradinha do pão da Zambujeira calha sempre bem.

Zambujeira do Mar, Alentejo, Portugal
Zambujeira do Mar, Alentejo, Portugal

Este troço do trilho foi o que achámos mais bonito, provavelmente por ser o mais “selvagem” e longe de acessos. Para além de passarmos pela Praia do Tonel, conhecida pelas suas cordas para se descer até ao areal, pelo Cabo Sardão, com o seu farol virado ao contrário, passámos também por muitas outras praias desertas que não conhecíamos, algumas de difícil acesso, outras sem acesso à vista, sempre percorrendo as falésias lindíssimas da nossa costa.

Trilho dos Pescadores, Rota Vicentina, Alentejo, Portugal
Trilho dos Pescadores, Rota Vicentina, Alentejo, Portugal

Para almoçar, no Cabo Sardão fizemos um desvio de cerca de 1 km até ao Cavaleiro, que tem alguns restaurantes. Escolhemos o Rocamar, que tem uma esplanada com sombra, pessoas simpáticas e comida simples e saborosa. Ainda nos carregaram os telemóveis e tudo! Para voltar à trilha, em vez de se voltar pela estrada até ao Cabo Sardão, pode-se seguir o caminho que vai até à Praia do Cavaleiro, e apanhar a trilha mais à frente.

Chegámos à Praia do Almograve ainda a tempo de uns mergulhos no mar e uns banhos de sol, e já não saímos dalí até ao dia seguinte. O Bar da Praia fica mesmo por cima do areal, tem uns chuveiros, tem uns cocktails refrescantes, tem uns petiscos que combinam na perfeição com o pôr do sol. Não precisávamos de mais nada para terminar o dia.

Praia do Almograve, Alentejo, Portugal
Praia do Almograve, Alentejo, Portugal

Dia 3 – Do Almograve a Milfontes

Para o 3º e último dia tínhamos o percurso mais curto, cerca de 15 km, do Almograve a Milfontes. Se no troço anterior sentimos a natureza no seu estado mais selvagem, neste sentimos a presença humana em demasia. Muitas estufas e grandes áreas de agricultura intensiva, onde já nem se percebe bem qual seria a paisagem natural.

Já cansados e com alguma fome, à chegada à Praia das Furnas optámos pela atalho de atravessar o Rio Mira de barco, em vez de dar a volta pela ponte de Milfontes. E assim cumprimos o objetivo de chegar a casa! Como recompensa ainda passámos na Mabi para um croissant (um para cada um, que é coisa que não se divide!).

Rio Mira, Milfontes, Alentejo, Portugal
Rio Mira, Milfontes, Alentejo, Portugal

Ir e provar

Trilho dos Pescadores, Rota Vicentina, Alentejo, Portugal

Em Portugal, e na nossa costa alentejana em particular, é fácil comer bem. Qualquer tasquinha tem um bom peixinho fresco acabado de apanhar, um pãozinho da zona, e uns petiscos alentejanos. Como o trilho vai junto à costa e não há propriamente restaurantes a cada esquina, é importante se planear em que parte do trilho faz sentido parar para almoçar, jantar, ou só petiscar qualquer coisa. Para qualquer eventualidade, dá jeito levar água (uma garrafa/cantil para poder encher), uns snacks resistentes ao calor e dinheiro (alguns sítios não têm multibanco).

Na página oficial da Rota Vicentina têm uma lista longa de restaurantes ao longo do percurso e que ajuda a planear as opções. Neste trilho, nós experimentámos e recomendamos os seguintes:

Ir e ficar

Nós optámos por levar a nossa tenda e sacos cama, para termos alguma flexibilidade durante o percurso. Mas existem várias opções onde ficar ao longo do trilho, dependendo do estilo que procuram.

Em Odeceixe ficámos no Parque de Campismo S. Miguel, que é super arranjadinho e tem todas as regalias e mais algumas para quem quiser ficar por lá alguns dias! Tem uma piscina grande, campos de jogos, bons balneários de apoio, minimercado, multibanco e restaurante. Da nossa curta estadia a única coisa que achamos que valia a pena investirem um pouco mais seria o restaurante. Funciona mais como cantina e as opções não são muito apelativas. Depois do jantar descobrimos que há também uma pequena pizzaria perto da piscina… Fica para a próxima!

No Carvalhal, perto da Zambujeira do Mar, ficámos no Monte Carvalhal da Rocha. É pertinho da praia (menos de 1km), tem opção de alojamento e campismo e é bastante arranjadinho. Tem um minimercado com os básicos, piscina e um restaurante ótimo! Jantámos um polvo ao alhinho e uns secretos na brasa deliciosos!

No Almograve ficámos na praia até tarde a aproveitar o pôr do sol e acabámos por dormir por ali, ao som das ondas do mar.

Ir e levar – o que levar na mochila?

Trilho dos Pescadores, Rota Vicentina, Alentejo, Portugal

O trilho apesar de lindíssimo, com vários troços por areia, acaba por ser um bocadinho pesado, principalmente com o sol de Verão (que não é a época mais recomendada). Por isso o objetivo é ir o mais leve possível e levar apenas o essencial! Estas mochilas já nos acompanharam para várias viagens, por isso para além das nossas costas já as conhecerem bem, também já ganhámos alguma prática a reduzir a carga ao essencial.

Para esta aventura levámos:

  • Tenda
  • Sacos cama
  • Ténis confortáveis para caminhar em areia e rocha
  • Meias boas para caminhada (nada daqueles pezinhos que escorregam pelo pé a dentro)
  • Roupa confortável para caminhar durante o dia
  • Roupa interior
  • Chapéu
  • Protetor solar (e não esquecer de pôr várias vezes ao dia)
  • Agasalho para a noite
  • Lanterna (dá sempre jeito, e há umas pequeninas na Decathlon que dá para pendurar na tenda)
  • Fato de banho e toalha de praia (temos umas super fininhas da Bubel que usamos para viagens)
  • Toalha de banho (as de microfibras da Decathlon são ideais, pequenas leves e secam rápido)
  • Chinelos (que servem para a praia e para tomar banho)
  • Papel higiénico e/ou lenços papel
  • Sacos do lixo (para o nosso lixo e/ou para o que encontrarem no caminho)
  • Garrafa/cantil para água (de preferência térmico)
  • Snacks (que aguentem bem o calor)
  • Dinheiro para comida e extras (não há fartura de multibancos pelo caminho e muitos sítios só aceitam dinheiro)
Rio Mira, Milfontes, Alentejo, Portugal
Rio Mira, Milfontes, Alentejo, Portugal

Estás pronto para pôr a mochila às costas e partir à descoberta na nossa costa? Esperamos ter-te inspirado!

Há Sol & Mar

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