Mais um encontro com o néctar dos deuses

Depois da vindima é mesmo a altura das provas na cidade, e desta vez foi a Revista de Vinhos a dar continuidade ao reboliço vínico em Lisboa com o Encontro com Vinhos & Encontro com Sabores. Este é o evento que vem à cabeça de todos os apreciadores e, talvez o mais emblemático da cidade de Lisboa porque já vai na 18ª edição.

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A feira

A experiência que têm na organização destes eventos, contrastante com a grande afluência de pessoas e pouco espaço para circular patente nos últimos anos, levou-nos a querer voltar e perceber as evoluções.

Como gostamos de finais felizes, comecemos pela parte menos boa. Como sempre, este evento realizou-se no Centro de Congressos de Lisboa (antiga FIL), local privilegiado, bem juntinho ao rio, com bons acessos e parque de estacionamento privado. O parque é pago, mas o que é inadmissível é o acesso, um passeio alto e atabalhoado que faz lembrar o de um parque de praia improvisado.

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A feira desenrolou-se como as anteriores. Muita gente, o mesmo espaço, mas muito menos produtores. Porquê? Talvez pela feira de há 20 dias atrás? Pelo preço para os produtores? Pelas condições do espaço? Não sabemos. Não sabemos, mas sentimos. Faltaram muitos produtores a este evento e não foi por isso que houve mais espaço para circular, porque o espaço livre foi usado para fins comerciais e não para redistribuir os stands dos produtores. Boa decisão? Para nós não. Ainda assim, o ambiente entre produtores e visitantes foi ótimo e o evento acabou por ser bastante positivo para quem lá foi.

Os vinhos

Mais uma vez tentámos fazer uma pré-seleção daquilo que queríamos provar. Infelizmente, devido à ausência do mapa de expositores no site da organização, tal não foi possível. Este é um ponto que têm de melhorar para o ano, pois é muito importante para quem quer organizar antecipadamente a sua visita.

Ultrapassados os obstáculos e com o nosso copo ao peito, começámos a percorrer os corredores da feira e a provar aquilo que nos parecia interessante e onde a afluência era menor. Fomos diretos ao produtor Cortes de Cima, com o objetivo de provar o Touriga Nacional que venceu o prémio oficial da feira passada. Para nosso desgosto “Já não há. Ganhámos um prémio importante há duas semanas e já não temos esse vinho para prova“. Fica para a próxima, ou não.

Nesta feira, ao longo dos quatro dias mantivemos a estratégia: provar vinhos tintos e finalizar com licorosos para levar a boca docinha para casa. Entre esta panóplia de vinhos, temos alguns que merecem ser galardoados por um dos mais importantes prémios de vinhos do mundo – os prémios Há Sol e Mar!

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Prémio Há Sol e Mar, e há o melhor produtor!

Sem grandes demoras e pela consistência e qualidade apresentada em todas as feiras, o prémio vai para a Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo. Quem chega à banca da Quinta Nova vai ter excelentes momentos, quer prefira brancos (com o grande Mirabilis à cabeça), quer seja fã de tintos (onde se pode perder entre o Terroir, o Grande Reserva ou o Referência), ou queira adoçar a boca (com um excelente vintage). Aliado à qualidade, temos a simpatia, conhecimento e interesse em apresentar a Quinta e o que lá se produz – aqui merece destaque o Ricardo Assunção que para muita gente começa a ser a cara destes vinhos.

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Desta vez, tivemos direito a uma experiência adicional proporcionada pela Quinta Nova, através da prova comentada – 10 anos de Grandes Reservas que contou com a presença da produtora Luísa Amorim e do enólogo Jorge Alves. Nesta prova, tivemos o privilégio de provar e ouvir a história dos grandes reserva da Quinta Nova: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009, 2011, 2012, 2013 e 2015. Foi uma experiência magnífica, com excelente ambiente, a confirmar a longevidade e potencial de envelhecimento em garrafa dos Grande Reserva desta quinta. A título de curiosidade, os nossos favoritos foram as colheiras de 2005, 2007 (o favorito) e 2011, sendo expectável que o atual (2015) venha a ser mais um clássico.

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Prémio Há Sol e Mar, e há o melhor vinho tinto!

Vale Dona Maria, Vinha da Francisca 2014. Já tínhamos provado na feira passada. Nesta feira voltámos a provar nos três dias, para ser possível aferir eventuais diferenças de garrafa para garrafa. Resumindo e concluindo, o vinho é brilhante. Caro, muito caro, mas brilhante. Devido à sua frescura e balanço é um vinho que já se bebe muito bem, mas a verdade é que este prémio é justificado principalmente pelo risonho futuro que tem pela frente. O vinha da Francisca tem um equilíbrio fantástico, apresentando-se na boca com bastante fruta vermelha, completada de forma brilhante com notas de especiarias, chocolate e café. O final deste vinho é muito prolongado e intenso. Temos a certeza que em pouco tempo vamos ouvir falar deste Vinha da Francisca. Será um clássico do Douro.

Prémio Há Sol e Mar, e há a melhor relação qualidade preço!

Quinta de Chãs, Reserva, 2009. A surpresa da feira. Um vinho fabuloso! A um preço fantástico. Não vale a pena falar muito sobre este néctar. Encontrem. Comprem as garrafas que conseguirem e deliciem-se. É isso que vamos fazer.

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Outros vinhos que mesmo sem prémio merecem o nosso destaque

Quinta de Sant’Ana, Merlot 2008
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Palácio dos Távoras 2013

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Herdade de São Miguel, Private Collection 2013

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Quinta Nova, Grande Reserva 2013
Santa Vitória, Grande Reserva 2014
Quinta de Chãs, Grande Reserva, 2009
Vinhas da Ira, Mingorra 2011

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Tiago Cabaço, Alicante Bouschet 2014

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Quinta da Costa das Aguaneiras 2014

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Os sabores

Como bons vinhos devem sempre ser acompanhados de bons petiscos não deixámos de visitar o Encontro com Sabores. O espaço estava um pouco desorganizado e não facilitava a visita a todas as bancas.

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Mas claro que encontrámos boas surpresas. Não faltaram as típicas sandes de presunto e queijo das várias regiões do país, que caem sempre bem depois de umas horas de provas de vinhos.

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Havia uma zona de workshops onde ficámos a conhecer queijos magníficos e alguns truques de culinária.

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Mas a banca que nos roubou por completo a atenção veio do frio gélido do Alasca. A Alaska Seafood estava a apresentar, e muito bem, alguns dos seus produtos – peixinho fresco e pescado de forma sustentável enquanto nada livremente nas águas cristalinas do Alasca. O mais difícil foi largarmos os tabuleiros de peixe e pararmos de provar e reprovar o salmão e o bacalhau. A boa notícia é que é possível encontrar estes produtos em Portugal! Não há em qualquer supermercado de esquina, mas podem encontrar na Makro e nos supermercados SuperCor e El Corte Inglês do país. Vale a pena!

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E assim chegou ao fim mais uma feira de vinhos e sabores onde tivemos oportunidade de provar bons vinhos e conviver entre amigos e conhecidos. Voltaremos na expectativa de melhorias.

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Até lá, um brinde a nós, brinde aos avós, brinde a quem aqui vier.

Sol & Mar

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