Vinhos&Sabores? Copo ao peito e aí vamos nós!

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Entre os dias 27 e 30 do passado mês de Outubro, a FIL foi palco da feira de Vinhos&Sabores organizada pela revista Grandes Escolhas. Como grandes apaixonados pelo que Portugal tem de melhor e eternos aspirantes a enófilos, estivemos lá, de copo ao peito e preparadíssimos para provar este néctar dos deuses, com que muitos produtores nos quiseram brindar.

Esta foi a primeira feira organizada pela Grandes Escolhas, razão pela qual as nossas expetativas eram elevadíssimas. A verdade é que foi uma primeira vez de alto nível. A escolha do local foi perfeita, pela facilidade de acesso, transportes e estacionamento. O pavilhão escolhido era bastante arejado, com um pé direito bastante alto, que transmitia maior conforto aos visitantes. Também os expositores beneficiaram desta escolha, pois o espaço entre eles era maior e os aglomerados de pessoas não eram tão recorrentes como noutras feiras do género. Na nossa opinião, em termos de organização, foi um verdadeiro sucesso.

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Desta vez, também nós, alterámos a estratégia. Planeámos a visita e fizemos uma pré-seleção de todos os produtores que queríamos visitar, dividindo-os pelos três dias de feira. Como podem calcular, é impossível resistir a algumas exceções ao plano, mas mesmo assim acabou por correr muito bem, e conseguimos provar tudo o que queríamos (sempre por excesso, claro!).

Gostamos de conhecer os produtores. Gostamos de falar com eles e de ver como reagem aos diferentes clientes. Ora surge o Sr. “é cheio e do mais caro oh faz favor”, entre alguns soluços, ora surge o super entendido que faz perguntas utilizando palavras que não existem, enquanto gorgoleja e lança jatos de vinho para a cuspideira a uma distância considerável, comprovando a sua experiência e destreza, ora surge o cliente que deixa a prova nas mãos do produtor, colocando do seu lado a responsabilidade de criar uma boa experiência. Os clientes, por muito diferentes que sejam, têm sempre razão, mesmo aqueles que acusaram 3.2 no teste de alcoolémia à saída da feira.

A nossa sugestão: a tentação é grande, mas em vez de 300 vinhos, provem só 20 e invistam tempo a conhecer os produtores. Percebam como fazem vinho, porque misturam algumas castas, e como se adaptam aos problemas. Valorizem o seu trabalho e retirem algo de positivo de cada prova.

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Julia Kemper Wines

 

Da experiência que tivemos e do que provámos há coisas que não esquecemos. Por acharmos que é bom sinal, deixamos as nossas referências:

Prémio Há Sol e Mar, e há o melhor produtor!

Nesta feira houve muito por onde escolher. Muita simpatia. Muita qualidade. Muito conhecimento. Muita paixão. Menções honrosas no que toca a estes fatores para: Quinta Nova, Júlia Kemper, Quinta da Plansel, Quinta da Falorca, Herdade das Servas, Casa de Santa Vitória, entre outros. Mas temos a certeza que ninguém nesta feira ficou indiferente à presença, simpatia e paixão de Domingos Alves de Sousa. Alves de Sousa é a nossa escolha. Porquê? Porque apostaram na presença. Trouxeram mais de 5 topos de gama de “marcas” diferentes. Apresentaram vinhos fantásticos como o Quinta da Gaivosa, Lordelo, Incógnito, Reserva Pessoal, e lançaram ainda na feira a Quinta da Oliveira. Variedade e qualidade incríveis. E depois, o facto do Sr. Domingos Alves de Sousa estar presente e de podermos partilhar com ele (e beber) alguns dos seus principais vinhos. Estivemos cerca de 45 minutos neste expositor a beber de uma lenda do Douro… “Lenda Viva” como o próprio gosta de completar. Obrigado pela experiência Sr. Domingos.

Prémio Há Sol e Mar, e há o melhor vinho branco!

Os vinhos brancos não foram alvo do nosso foco nesta feira, mas não podemos deixar de realçar um grande branco da Casa da Passarella – o Villa Oliveira Reserva 2014. Este Villa Oliveira é um branco de luxo! Resultado de uma seleção da casta encruzado, apresenta-se no nariz com muita fruta, envolvida de forma eximia na barrica onde estagiou durante 9 meses. Na boca é envolvente, e apresenta um final vibrante e prolongado. Sim, é caro. Mas é um luxo de vinho.

Prémio Há Sol e Mar, e há o melhor vinho tinto!

Nesta feira provámos vários vinhos que mereciam esta distinção. Houve mesmo muita qualidade à prova. Correndo o risco de sermos injustos, porque ficaram muitos por provar, o nosso vencedor é das Terras D’Alter e trata-se do recentíssimo Impar 2011! Este é o resultado da colheita de 2011 onde foram selecionadas as melhores uvas das castas Trincadeira, Tinta Caiada, Aragonez e Alicante Bouschet, em proporções idênticas. No processo, este aspirante a colosso vínico passou por um estágio numa seleção de 16 barricas, durante 30 meses. Este estágio confere-lhe uma estrutura e complexidade impares, o que de certa forma faz jus ao nome. Na boca, está carregado de taninos suaves e maduros mas que indicam o potencial de evolução deste vinho, que aguentará, à vontade, uns 20 anos em garrafa. Apesar dessa longevidade marcada na boca, está belíssimo para ser bebido no imediato, pois a madeira está muito bem integrada na fruta madura, conferindo-lhe algumas nuances fumadas e de especiarias. O final? Dura, e dura, e dura. Um final perfeito para um vinho excecional. Bravo!

Prémio Há Sol e Mar, e há a melhor relação qualidade preço!

Alicante Bouschet é uma das nossas castas favoritas. E foi nessa casta que encontrámos um dos vinhos que consideramos ter melhor relação qualidade preço (o que não quer dizer que seja barato). O escolhido para esta categoria foi o surpreendente Herdade das Servas – Alicante Bouschet 2014. Este vinho é o resultado de uma seleção das melhores uvas desta casta, e posterior estágio de 12 meses em barricas de carvalho francês e americano de 1º e 2º ano. Após o engarrafamento, a garrafa esteve em guarda durante 12 meses antes de entrar no mercado. O resultado, é um Alicante que mostra o que de melhor tem a casta, apresentando no nariz bastante fruta madura, alguma compota de ameixa, talvez alguns elementos de baunilha e especiarias. Na boca apresenta-se muito elegante, enche a boca e apresenta novamente bastante compota envolvida nas barricas de carvalho. O final é persistente e muito intenso. Na prova deste vinho contámos com a presença do enólogo responsável pelo mesmo, fator que pesa na prova pela facilidade que teve em nos levar onde queria…

Para além dos premiados, muitos outros nos ficaram na memória pela positiva, e achamos que merecem o nosso destaque:

Crochet 2014
Herdade Grande, Grande Reserva
Herdade das Servas, Grande Reserva 2012
Herdade da Calada, Grande Reserva 1999
Quinta das Cerejeiras 2012
Vinha do Lordelo 2011
Alves de Sousa, Reserva Pessoal 2008
Inevitável 2014
Cabernet Sauvignon 2012, Santa Vitória
Quinta Nova, Grande Reserva 2015
Quinta Nova Reserva, Terroir Blend, 2015
Plansel Selecta, Grande Escolha 2014

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E porque nem só de vinhos se fez a feira, a nível de sabores também houve boas surpresas. Para além das típicas barraquinhas de queijos e sandes de presunto (essenciais a qualquer prova de vinhos), houve algumas sessões de cozinha ao vivo e abertas aos visitantes (pelo menos aos que ainda conseguiam correr e agarrar-se a um dos poucos lugares). Faltámos à primeira, com o António Galapito, mas não perdemos as sessões com o Vincent Farges e com o Diogo Rocha.

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Vincent Farges foi chef da Fortaleza do Guincho, em Cascais, durante 10 anos, e prepara-se agora para abrir um restaurante em Lisboa. Pelo que vimos e provámos, iremos certamente fazer-lhe uma visita! Acompanhado pelo escanção Inácio Loureiro, que escolheu e apresentou os vinhos para os vários pratos, o Vincent trouxe-nos três pratos deliciosos. Começou com um tartar de camarão que foi servido com o Quinta da Bacalhôa branco de 2016, passou para o prato de carne com um carpaccio de vazia maturada que foi acompanhado com o açoriano Magma Verdelho branco 2015 e terminou com uma surpreendente sopa de lentilhas que foi muito bem acompanhado com o Quinta do Monte d’Oiro tinto de 2013. O chef bem nos tentou convencer que todos os pratos eram muito simples, e foi muito simpático e cuidadoso a explicar todos os passos, no entanto estamos muito felizes por ter provado os resultados na hora!

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Inácio Loureiro & Vincent Farges

O Diogo Rocha, chef da Mesa de Lemos em Viseu, trouxe uma grande variedade de pratos maioritariamente à base de peixe. Sendo de Viseu, disse que trazer vitela ou cabrito era muito fácil! Começou com uma entrada simples e deliciosa – gema de ovo escalfada com patanisca de batata, seguido de um carapau curado, um pouco salgado de mais para o nosso gosto. Como nem tudo podia ser peixe, trouxe também um pastel de massa tenra com enchidos, cheio de sabor e que confessou ser do menu anterior, pois o mais recente ainda não está no ponto desejado. As boas surpresas continuaram, e apresentou-nos um prato de lagostim em duas texturas (tártaro e filete) com abacate, iogurte e romã, seguido de um filete de raia com molho de fígado da mesma, pera desidratada e pinhões. Estes dois foram os vencedores de todo o menu, ingredientes frescos e bem portugueses, com uma combinação de sabores divinal! Para terminar ainda tivemos direito a um doce de castanha e chocolate, e este foi o nosso menos preferido, pois não sabia nem muito a castanha, nem muito a chocolate (e quando nos falam em chocolate há sempre uma certa expectativa!). Para acompanhar os pratos, o Diogo trouxe alguns vinhos da Quinta de Lemos, mas que não tivemos oportunidade de provar. No final estávamos convencidíssimos a passar um dia destes pela Mesa de Lemos para provar umas quantas iguarias, pela simpatia (não só do Diogo mas também da equipa que o acompanhou), pelo empenho em mostrar-nos e dar-nos a provar as suas iguarias nas melhores condições possíveis (até loiça de Viseu trouxeram!) e claro, pelos sabores que nos conquistaram o palato.

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Diogo Rocha

 

 

Como em tudo, há sempre pontos a melhorar, mas a primeira vez da revista Grandes Escolhas foi um completo sucesso. Acreditamos até que esta feira acaba por estabelecer um padrão de exigência para as feiras que se seguem, pois foi sem dúvida a melhor organizada e com melhores condições a que fomos.

Resta-nos agradecer à organização pelos vinhos e sabores que trouxeram à FIL, aos produtores que marcaram presença de forma muito educativa e animada e, por fim, aos amigos que nos acompanharam em mais uma cruzada de vinhos e sabores e que juntamente com o palato bem tratado nos fazem concluir que a vida é mesma curta de mais para beber maus vinhos. Até para o ano.

 

Brinde a nós, brinde aos Avós, brinde a quem aqui vier!

Sun&Sea

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